terça-feira, 11 de novembro de 2008

Café Filosófico: Jovem e a transcendência

Texto 1
“Então, transcendência, fundamentalmente, é essa capacidade de romper todos os limites, superar e violar os interditos, projetar-se sempre num mais além. (...) Somos seres de enraizamento e de abertura. A raiz que nos limita é a nossa dimensão de imanência. A abertura que nos faz romper barreiras e ultrapassar todos os limites, impulsionando a busca permanente por novos mundos,é nossa transcendência. (...) Numa palavra, eu diria que o ser humano é um projeto infinito. Um projeto que não encontra neste mundo o quadro para sua realização. Por isso é um errante, em busca de novos mundos e novas paisagens (...) O ser humano é um projeto ilimitado, transcendente, não dá para ser enquadrado. Ele pode, amorosamente, acolher o outro dentro de si. Pode servi-lo, ultrapassando limites. Mas é só na sua liberdade que ele o faz, é só quando decide a isso, sem nenhuma imposição.” 

BOFF, Leonardo. Tempo de transcendência: o ser humano como um projeto infinito. Rio de Janeiro: Sextante, 2002. p.31 e 37.



Texto 2 – “O Eu e o Tu”
“As linhas de todas as relações, se prolongadas, entrecruzam-se no Tu eterno. – (Buber, 1977, p. 87)
Martin Buber nasceu em Viena em 8 de fevereiro de 1878. O avô dele era autoridade da Haskalah. Estudou filosofia e letras, depois psiquiatria e sociologia. Professor de história das religiões e ética judaica na Alemanha até 1933. Em 1938 foi para Jerusalém lecionar sociologia na Universidade Hebraica: estudos sobre Bíblia, judaísmo e hassidismo, política e outros. Morreu em 13 de junho de 1965 em Jerusalém. Ele escreveu sobre ontologia da relação, estabelecendo a diferença entre o relacionamento Eu-Tu e Eu-Isso. O mundo do Isso, ordenado e coerente, é indispensável à existência humana, mas não pode subjugar o homem. No Tu, ocorre o encontro, e o Isso é objeto de experiência do Eu, de uso, de conhecimento. (...) Relação é reciprocidade e se dá na totalidade e na presença integral, independentemente de tempo ou de lugar: Toda vida é encontro (idem, 13). O Tu se oferece ao encontro e o Eu decide encontrá-lo, e o amor se realiza entre o Eu e o Tu; é responsabilidade de um Eu para um Tu. O homem se torna Eu na relação com um Tu (idem, p. 32). Mas o Tu é um estado transitório, sempre se torna um Isso. A contemplação autêntica é breve, a revelação dá lugar à descrição, classificação. O Isso é coerente no espaço e no tempo, e o mundo do Tu não tem coerência nem no espaço nem no tempo.
Relação – presente – Tu. O Eu se conscientiza como subjetividade – pessoa.  
Experimentação – utilização – Isso. O Eu toma consciência de si como sujeito de experiência e de utilização – egótico. Buber diz que ambos os modos são naturais, mas em alguns se manifesta mais o egótico e, em outros, a pessoa.”

WAHBA, Liliana Liviano. Eu e Tu: quando o tu desaparece. In: OLIVEIRA, F. M. & CALLIA, M. H. P. (org.). Reflexões sobre a morte no Brasil. São Paulo: Paulus, 2005. p. 175-184.



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