quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Bioética: uma discussão sobre a vida

A partir de hoje publico uma série de trabalhos produzidos por alunos do 2º ano do Ensino Médio. Os vídeos são bons para uma introdução à discussão de alguns temas sobre a bioética. Assistam e respondam as questões que as imagens apresentam.


Ps.: Seja honesto, ao utilizar algo deste blog, cite a fonte.

domingo, 16 de novembro de 2008

Quando o amor vacila

Maria Bethânia

 
"Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.

Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
e dela não me conformo.

Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.

Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo teu jogo triste.

As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.

Eu amo a tua alegria.

Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.

Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.

Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.

Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.

Amo teu sistema de vida e morte.

Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual.

Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.

Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.

Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila."


Esse poema/canção dispensa comentários. Ouça na voz de Maria Bethania aqui.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Café Filosófico: Jovem e a transcendência

Texto 1
“Então, transcendência, fundamentalmente, é essa capacidade de romper todos os limites, superar e violar os interditos, projetar-se sempre num mais além. (...) Somos seres de enraizamento e de abertura. A raiz que nos limita é a nossa dimensão de imanência. A abertura que nos faz romper barreiras e ultrapassar todos os limites, impulsionando a busca permanente por novos mundos,é nossa transcendência. (...) Numa palavra, eu diria que o ser humano é um projeto infinito. Um projeto que não encontra neste mundo o quadro para sua realização. Por isso é um errante, em busca de novos mundos e novas paisagens (...) O ser humano é um projeto ilimitado, transcendente, não dá para ser enquadrado. Ele pode, amorosamente, acolher o outro dentro de si. Pode servi-lo, ultrapassando limites. Mas é só na sua liberdade que ele o faz, é só quando decide a isso, sem nenhuma imposição.” 

BOFF, Leonardo. Tempo de transcendência: o ser humano como um projeto infinito. Rio de Janeiro: Sextante, 2002. p.31 e 37.



Texto 2 – “O Eu e o Tu”
“As linhas de todas as relações, se prolongadas, entrecruzam-se no Tu eterno. – (Buber, 1977, p. 87)
Martin Buber nasceu em Viena em 8 de fevereiro de 1878. O avô dele era autoridade da Haskalah. Estudou filosofia e letras, depois psiquiatria e sociologia. Professor de história das religiões e ética judaica na Alemanha até 1933. Em 1938 foi para Jerusalém lecionar sociologia na Universidade Hebraica: estudos sobre Bíblia, judaísmo e hassidismo, política e outros. Morreu em 13 de junho de 1965 em Jerusalém. Ele escreveu sobre ontologia da relação, estabelecendo a diferença entre o relacionamento Eu-Tu e Eu-Isso. O mundo do Isso, ordenado e coerente, é indispensável à existência humana, mas não pode subjugar o homem. No Tu, ocorre o encontro, e o Isso é objeto de experiência do Eu, de uso, de conhecimento. (...) Relação é reciprocidade e se dá na totalidade e na presença integral, independentemente de tempo ou de lugar: Toda vida é encontro (idem, 13). O Tu se oferece ao encontro e o Eu decide encontrá-lo, e o amor se realiza entre o Eu e o Tu; é responsabilidade de um Eu para um Tu. O homem se torna Eu na relação com um Tu (idem, p. 32). Mas o Tu é um estado transitório, sempre se torna um Isso. A contemplação autêntica é breve, a revelação dá lugar à descrição, classificação. O Isso é coerente no espaço e no tempo, e o mundo do Tu não tem coerência nem no espaço nem no tempo.
Relação – presente – Tu. O Eu se conscientiza como subjetividade – pessoa.  
Experimentação – utilização – Isso. O Eu toma consciência de si como sujeito de experiência e de utilização – egótico. Buber diz que ambos os modos são naturais, mas em alguns se manifesta mais o egótico e, em outros, a pessoa.”

WAHBA, Liliana Liviano. Eu e Tu: quando o tu desaparece. In: OLIVEIRA, F. M. & CALLIA, M. H. P. (org.). Reflexões sobre a morte no Brasil. São Paulo: Paulus, 2005. p. 175-184.